sexta-feira, 29 de maio de 2009

Cinco Minutos Depois

Cinco Minutos Depois

Após um longo dia trabalho em Ribeirão Preto, com os termômetros beirando os 38 graus, e ainda com três horas de folga para tomar um vôo para São Paulo, resolvi tomar um chope em uma filial do famoso Pingüim no Shopping Ribeirão.

Cinco minutos depois, lá estava eu espiando as vitrines e aproveitando o ar condicionado. Como a sede era muita não perdi muito tempo pelos corredores do shopping, fui ao que interessa o famoso chope.
Lugar bonito, bem decorado e uma temperatura bem agradável, o chope eu vou confessar, não é do outro mundo apesar da fama, fica devendo para o Bar do Léo em São Paulo.

Cinco minutos depois chega um rapaz alto, magrinho carregando nas costas uma imensa caixa acústica. Ótimo vai ter música ao vivo, nada melhor que fazer hora, tomando um chope e ouvindo uma musiquinha.
O rapaz após falar uma gracinha para a bonita garçonete, desaparece de cena e cinco minutos depois ele volta com outra caixa acústica nas costas. Coloca a caixa no chão e some de novo.

Cinco minutos depois eu peço mais um chope e ele chega agora com dois violões na capa, encosta na parede e como um raio desaparece.
Eu peço mais chope e ele volta abraçando algo que me pareceu um teclado. Põe tudo no chão e concluo que deve ser um conjunto, ou melhor, uma banda como se fala hoje em dia. Ele some de novo.

Cinco minutos depois ele volta com um monte de pedestais caído pelo chão. Eu peço mais chope e ele some.
Mais uma conclusão, ele deve ser o ajudante do conjunto, ou seja, aquele que carrega os instrumentos e equipamentos, coitado, poderiam ter contratado mais um afinal era muita tralha para um só. O cara suava em bicas.

Peço mais um chope e agora mando vir um “Stannheguer”, estou começando a ficar nervoso, ora ele devia ter colocado a perua, o carro, ou seja, lá o que for mais próximo do bar, o bar tem saída para o estacionamento ou arrumar um carrinho, destes que usam para transporte de mercadorias dentro do shopping.

Cinco minutos depois ele volta equilibrando um monte de equipamentos eletrônicos sabe-se lá o que era amplificador, sintetizador, liquidificador, mesa de som ou sei lá o que. Ele some de novo.
Peço mais um chope e um “Stannheguer” e cinco minutos depois ele aparece com uma mala de náilon enorme e de lá sai uma quantidade enorme de fios e microfones. Ele agora tira uma sacola de dentro da mala, brinca com a bonita garçonete e vai para o banheiro. Coitado, ele precisava mesmo era de um banho.

Cinco minutos depois eu peço mais um chope e ele volta, agora todo de preto, calça, camiseta e botas de vaqueiro, um rabo-de-cavalo preso com todo o cuidado é o destaque, daquele carregador de equipamentos, que através de uma metamorfose ambulante se transforma em artista.

Ai começa o drama, montar e ligar tudo aquilo é fio que não acaba mais, liga, desliga, aperta, ajusta e ai as luzes dos equipamentos se acedem mais parecendo um painel de nave interplanetária.


Cinco minutos depois eu peço mais chope e aí começa o teste de som, um infindável de Á, Á, Á, Á, Á, Á, Á, Á, Á, som, som, som, som, som... Testando
de O, O, O, O, O, O, O, O, som, som, som, som, som... Testando
Mexe daqui, aperta duzentos botões, e ai percebe que de uma das caixas não sai som, tira o fio, aperta o fio e nada, o som não sai.

Cinco minutos depois eu peço mais um chope e de repente, não mais que de repente o som saiu como um estrondo enorme, indescritível, arrasador e ensurdecedor.
Ele pede desculpa, dá uma risadinha e volta a aquela enorme mala de náilon e de lá sai um Notbook, que é ligado a um dos indecifráveis equipamentos, será que ele vai passar um e-mail para alguém?


Cinco minutos depois eu peço a conta e um chope de saideira e nada de música, sai de lá sem ouvir uma nota musical se quer. Já no táxi rumo ao Aeroporto, sinto que estou bêbado. Cinco minutos depois, estou no balcão da empresa aérea onde sou informado que o meu vôo vai sofrer um atraso de três horas. Cinco minutos depois entro em sono profundo sentando na sala de espera do Aeroporto. Sonho com alguém que não conheço falando aos meus ouvidos: Som, Som, Som, Som, Som...

Chaves

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